A instabilidade postural swayback desempenha um papel significativo para as dores nas costas, devido as alterações posturais que contribuem para um posicionamento dinâmico ineficiente, desorganizado e sensível ao ambiente. Cada segmento do nosso corpo possui um centro de massa, os diferentes segmentos e centros de massa, por sua vez, desenvolvem um centro de gravidade, capaz de manter e equilibrar o corpo com o mínimo de esforço.

O desalinhamento corporal desencadeia nos segmentos um sistema compensatório a fim de manter o corpo em “equilíbrio”, e consequentemente, causam tensões e estresses sobre o sistema neurológico. Afetando toda a estabilidade postural, bem como, proporcionando o deslocamento do centro de gravidade corporal.

A estrutura morfológica da coluna vertebral determina de forma fatorial as diferenças posturais entre os indivíduos. O corpo possui uma capacidade de moldar em diferentes posturas, dependendo do estado mental e emocional, estabelecendo uma importante ligação do corpo-mente e postura. De acordo com Kendall e Kedall, há quatro principais tipos de postura. A primeira postura refere-se como ideal, segunda dita como hipercifose torácica, terceira descrita como hiperlordose lombar e quarta chamada de swayback.  Assim, ao longo do texto, será exposto os fatores que causam instabilidade postural em swayback.

Postura em Swayback

Swayback-musculosA instabilidade postural swayback é um desvio postural mais comum de alinhamento no plano sagital. Estaticamente essa postura é identificada pelo deslocamento posterior do tronco em relação à pelve, acentuação da cifose torácica, redução da lordose lombar, acompanhada de retroversão pélvica e as articulações dos joelhos hiperestendidas.

As fraquezas musculares são responsáveis por grande parte da instalação das desordens musculoesqueléticas, especificamente na postura swayback, identificamos uma diminuição das atividades dos estabilizadores da região lombar, como multífidos e transverso do abdômen. Também há fraqueza e alongamento dos músculos flexores do quadril, oblíquo externo, extensores do dorso e flexores do pescoço. Encurtamento dos posteriores da coxa e fibras superiores do oblíquo interno.

Na postura swayback a linha do centro de gravidade do corpo passa posteriormente ao quadril, devido ao deslocamento anterior da pelve, quando essa linha de gravidade está por trás dos corpos vertebrais lombares, em vez de um pouco à frente dos corpos das últimas vértebras lombares, a gravidade tende a inclinar o tronco, que por sua vez provoca uma diminuição no recrutamento de eretor da espinha lombar. Por seguinte, os músculos abdominais estão cada vez mais sendo recrutados para impedir a extensão da coluna lombar pela gravidade. Acarretando a diminuição do espaço entre as vértebras do segmento lombo-pélvico e maior predisposição em alguns indivíduos a dores lombar.

Tomando por base, as argumentações supracitadas Mulhearn e George descobriram que ginastas, com postura swayback estavam mais propensos a apresentar dores lombar. Corroborando com as argumentações Kendall na qual descreve que esta postura provoca o aumento da cifose torácica e diminuição da região tóraco-lombar, consequentemente, ampliando a possibilidade de dores na junção tóraco-lombar devido restrição articular. Também correlações significativas de dores na região lombar foram reportadas nos achados de Smith e colaboradores em associação com a postura swayback. Embora saibamos que essa relação entre a dor lombar e postura esteja bem estabelecida, não podemos negligenciar outros fatores que são contribuintes para o aparecimento dos sintomas de algias. Vários outros mecanismos têm sido propostos, incluindo uma possível sobrecarga da coluna vertebral decorrentes de mudanças de orientação vertebral, controle motor, tipos de personalidades e estresse psicossocial podem influenciar o funcionamento do sistema biomecânico.

A tendência do somatório das forças externas do corpo e todos os torques externos sejam diferente de zero, por isso o corpo sofre um estado de desequilíbrio articular. Em condições especificas por exemplo na marcha, podemos verificar uma maior atuação de forças dos músculos flexores de quadril que resultam em microtraumas repetitivos e posteriormente uma lesão.

Portanto, indivíduos que possuem postura swayback estão mais frequentemente propensos a dores, e maior vulnerabilidade à lesões. Em consequência das fragilidades musculares apresentadas que afetam o controle de movimento pela diminuição da contratilidade dos músculos estabilizadores e um aumento correspondente na tensão nas estruturas vertebrais, tais como os discos.

Treinamento resistido e instabilidade postural swayback

O treinamento resistido trabalha na perspectiva de prevenção o tempo todo. Por isso, profissionais de educação física necessitam de uma avaliação postural, afim de compreender toda a dinâmica do corpo em relação aos movimentos que serão executados de modo a recuperar e/ou preservar a funcionalidade do sistema locomotor ativo e passivo.

Recuperar o padrão postural defeituoso também faz parte dos aspectos estéticos almejados pelos indivíduos. Afinal, o controle da postura é uma interação completa entre os sistemas corporais que ajudam no posicionamento do corpo no espaço.

Do ponto de vista da fisiologia do equilíbrio postural envolve a necessidade de coordenar e controlar os segmentos corporais com base nas informações pelos sistemas: visual, vestibular e somatossensorial. Dessa forma, mesmo um comportamento cotidiano como manutenção da postura ereta, ao contrário do que parece, é uma tarefa complexa que envolve a interação entre informação sensorial e atividade motora.

Imagine com relação postura swayback e ao treinamento resistido, onde a maioria dos músculos estão em hiperatividade e seus antagonistas inibidos gerando os desequilíbrios musculares de forma estática e dinâmica. Provavelmente prejudicando a biomecânica de movimento dos exercícios, afetando capacidade de uma boa amplitude de movimento, potência e torque muscular, resistência e alinhamento postural.

Assim, a manutenção de uma postura ideal envolve um bom planejamento do treinamento resistido, visando recuperar os desequilíbrios existentes, a fim de, controlar os segmentos corporais com relação aos outros segmentos corporais e a coordenação destes segmentos em relação ao meio ambiente.

Referências Bibliográficas

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